domingo, 4 de dezembro de 2016

Preparai o caminho! - Evangelho Dominical (04/12)

Preparai o caminho do Senhor!


O Advento é tempo de preparação para receber o Salvador. É tempo de conversão! Daí o convite de João Batista a todos: “Convertam-se por que o Reino do Céu está próximo!” (Mt 3,2). O tempo é agora: “Preparem o caminho do Senhor, endireitem suas estradas!” (Mt 3,3).

João Batista prega a conversão. Esta significa colocar os passos nos passos de Jesus. E isto é um aspecto que caracteriza a vida cristã inteira. Quando acontece erro, um extravio, cumpre reconhecer o erro, dispondo-se a receber o dom de Deus, que perdoa sempre, que é infinitamente misericordioso e oferece a cura espiritual no Sacramento da Confissão.



Converter-se é renascer continuamente para a vida ressuscitada com Cristo. A existência do cristão deve ser uma conversão contínua. Não é somente purificar-se do estado de pecado, mas também progredir sempre. Ensina São Paulo: “Rogamos e vos exortamos no Senhor Jesus Cristo a que progridais sempre mais” (1Ts 4,1). O cristão convertido sabe que é um peregrino, como ser que vive debaixo da tenda em condição provisória, como pessoa que jaz sob a lei fundamental de uma mudança sempre mais profunda em busca de santificação pessoal.

João foi chamado o Profeta do Altíssimo por que sua a missão foi ir à frente do Senhor para preparar os seus caminhos, ensinando a ciência da Salvação a seu povo. João não desempenhará essa missão à procura de uma realização pessoal, mas concentrando-se em preparar para o Senhor um povo perfeito. Não se dedicará a ela por gosto pessoal, mas por ter sido concebido para isso. E irá realizá-la até o fim, até dar a vida no cumprimento da sua vocação.

Foram muitos os que conheceram Jesus graças ao trabalho apostólico do Batista. Os primeiros discípulos seguiram Jesus por indicação expressa dele e muitos outros se preparam interiormente para segui-Lo graças à sua pregação.

Diz João: “Eu sou a voz que clama no deserto: Preparai os caminhos do Senhor, endireitai suas veredas” (Mt 3,3). Ele não é mais do que a voz, a voz que anuncia Jesus. Essa é a sua missão, a sua vida, a sua personalidade. Todo o seu ser está definido em função de Jesus, como teria que acontecer na nossa vida, na vida de qualquer cristão. O importante da nossa vida é Jesus.

João Batista indica-nos também o caminho que devemos seguir. Na ação apostólica pessoal – enquanto preparamos os nossos amigos para que encontrem o Senhor –, devemos procurar não ser o centro. O importante é que Cristo seja anunciado, conhecido e amado. Uma preocupação de singularidade, a ânsia de sermos protagonistas, não deixaria lugar para Jesus. Sem humildade, não poderíamos aproximar os nossos amigos de Deus. E então a nossa vida ficaria vazia.


Hoje nós não podemos esquecer que somos testemunhas de Cristo. Nós somos testemunhas, mas que tipo de testemunhas? Como é o nosso testemunho cristão entre os nossos colegas, na família? Tem força suficiente para persuadir os que ainda não crêem em Jesus, os que não o amam, os que têm uma ideia falsa a seu respeito? São perguntas que poderiam ajudar-nos a viver este Advento, um tempo a que não pode faltar a dimensão apostólica.

Temos que dar testemunho e, ao mesmo tempo, apontar aos outros o caminho. Diz São Josemaria Escrivá: “Grande é a nossa responsabilidade, porque ser testemunhas de Cristo implica, antes de mais nada, procurar comportar-se segundo a sua doutrina, lutar para que a nossa conduta recorde Jesus e evoque a sua figura amabilíssima. Temos que conduzir-nos de tal maneira que, ao ver-nos, os outros possam dizer: este é cristão, porque não odeia, porque sabe compreender, porque não é fanático, porque está acima dos instintos, porque é sacrificado, porque manifesta sentimentos de paz, porque ama” (É Cristo que passa, nº 122).

O mundo não se abriu nem converteu ainda ao Evangelho. Por isso, soa ainda hoje, e mais atual do que nunca, a voz de João Batista que ecoa no Advento: “Arrependei-vos…” (Mt3,2).

Olhemos em direção ao Menino Deus que está para chegar! Hoje o mundo, muitas vezes, olha em outra direção, donde não virá ninguém. Muitos se acham debruçados sobre os bens materiais como se fossem o seu fim último; mas com eles jamais satisfarão seu coração. Temos que apontar-lhes o caminho. A todos.

Não é possível acolher "Aquele que vem" se o nosso coração estiver cheio de egoísmo, de orgulho, de autossuficiência, de preocupação com os bens materiais. Não bastam aparências, apenas de que somos cristãos porque recebemos o Batismo. A conversão deve ser comprovada pela ação.

Quais os caminhos tortos que devemos endireitar? Quais os frutos de conversão que Deus está esperando de nós, neste Advento, em preparação ao Natal?



Por Mons. José Maria Pereira

domingo, 20 de novembro de 2016

Cristo, Rei de Misericórdia - Solenidade de Cristo Rei

Nestes dias quando ligamos a televisão, vemos as manchetes dos jornais ou até mesmo abrimos o Facebook ou qualquer meio de comunicação nos deparamos com desgraças, tragédias, ódio, rancor, vingança, discórdia, entre outros. Tantas vezes essas experiências vão tirando a nossa esperança e nos fazendo insensíveis ou ainda normalizando tais acontecimentos.

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Contudo, essa não é a última resposta. Existe uma resposta maior: a misericórdia de Deus, que superabunda em nossas vidas. Seu amor ultrapassa todas as coisas porque Ele nos aceita como somos, nos quer com amor de Pai. Amor que é misericórdia, que não cessa de nos perdoar todas as vezes que caímos no pecado. É dessa forma que Ele vem ao nosso encontro e nos devolve a dignidade de sermos filhos de Deus. Cristo faz tudo isso por amor. Devolve-nos essa dignidade pelo amor.

Na solenidade de Cristo Rei a Igreja conclui o seu ano litúrgico e o Jubileu extraordinário da Misericórdia, promulgado pelo Papa Francisco. Com essas palavras ele conclui sua Bula Pontifícia: “Neste Ano Jubilar, que a Igreja se faça eco da Palavra de Deus que ressoa forte e convincente, como uma palavra e um gesto de perdão, apoio, ajuda, amor. Que ela nunca se canse de oferecer misericórdia e seja sempre paciente a confortar e perdoar. Que a Igreja se faça voz de cada homem e mulher e repita com confiança e sem cessar: «Lembra-te, Senhor, da tua misericórdia e do teu amor, pois eles existem desde sempre» (Sl 25/24, 6).”

Esperemos que esse ano tenha sido frutífero e nos tenha ajudado a recordar o amor de Deus para conosco, nosso amor para com o próximo e que tenha feito o nosso coração mais semelhante ao D’Ele. Que ao fechar a porta Santa em Roma nesse domingo, dia de Cristo Rei, Jesus nos conceda a graça de abrir as portas do nosso coração para esse Deus que é Rei de Misericórdia.


Por Ir. Carlos da Rocha, LC

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Tempo para Deus - A Liturgia das Horas

A Liturgia das Horas


Você sabia que a nossa Igreja possui uma grande riqueza
em sua liturgia, chamada de Ofício Divino?  


Sabia que a Igreja tem orações para serem feitas ao longo do dia? Você está prestes a conhecer as horas canônicas, quais são as orações e como rezá-las. Acompanhe também os próximos posts dessa série sobre a Oração da Igreja para conhecer cada vez mais!

Pois bem, todos sabemos que o calendário litúrgico já é incrível em sua divisão. Temos celebrações e ofícios para todos os dias. Outro tesouro que queremos falar hoje é o Ofício Divino, conhecido também como a Liturgia das Horas.

A vida de oração é importante para cada um dos cristãos. Entretanto, a oração em comunidade é tão importante que a Santa Igreja propõe aos fiéis que recitem os ofícios da Liturgia das Horas. É bastante comum essa oração nos institutos de vida religiosa e consagrada. Porém, nós leigos podemos e devemos também rezar. A oração deve fazer parte do nosso dia-a-dia. E ainda melhor rezar com textos sugeridos e rezados por toda Igreja, num espírito de unidade e um só coração e intenção.

Até a Sagrada Escritura mostra que desde o tempo dos apóstolos, existiam já fórmulas de oração para a comunidade. O principal objetivo e papel da Liturgia das horas é santificar todo o nosso dia e todas as atividades que realizamos.


Como a Liturgia das Horas é composta?


Individualmente ou em comunidade, inicia-se a oração com o invitatório: “Abri, Senhor, os meus lábios: E a minha boca anunciará o vosso louvor”.

Após a reforma de Concílio Vaticano II, as horas canônicas são:

- Ofício das Leituras, para ser recitado de madrugada; contudo, reconhecendo as necessidades de adaptação do homem moderno, a Igreja diz que pode ser recitado ao longo do dia, desde que se mantenha o caráter de vigília.

- Laudes ou Oração da Manhã, que é uma oração de louvor dado a Deus pela vida recebida. Atualmente composta de um Salmo, um hino do Antigo Testamento e um Salmo de louvor, de onde provém o nome. Existem alguns outros elementos nessa oração, mas o coração é este mencionado. É nesta hora canônica que se recita o Benedictus ou o Cântico de Zacarias.

- Hora média, que pode se desdobrar em mais três: tércia, próxima das 9h, sexta, próxima do meio dia, e noa, próxima das 15h. Elas podem ser recitadas como sendo uma só, para não multiplicar excessivamente os horários canônicos.

- Vésperas ou Oração da Tarde, composta por dois Salmos e um hino do Novo Testamento. Recita-se nessa hora o Magnificat, que é o Cântico de Nossa Senhora.

- Completas ou Oração da Noite, composta por um Salmo e o hino de Simeão.


Segundo a própria Instrução Geral sobre a Liturgia das Horas, as Laudes e as Vésperas são as duas principais das orações para serem rezadas em Comunidade e seguem basicamente a mesma estrutura:

HINO - As orações começam com os hinos, que dão uma tonalidade própria a cada hora canônica.
SALMODIA - Em seguida, se recitam salmos, de acordo com a liturgia daquele dia ou hora.
LEITURA - Após, segue-se uma leitura da Sagrada Escritura, que pode ser breve ou longa. Se a oração estiver sendo rezada com o povo, pode haver uma breve homilia.
RESPONSÓRIO - Agora segue-se o canto responsorial ou responsório breve.
CÂNTICO EVANGÉLICO - Se é Laudes ou outra hora, reza-se o Benedictus, o cântico de Zacarias. Se é nas Vésperas, é o cântico de Nossa Senhora, o Magnificat. As antífonas de Benedictus e de Magnificat variam conforme o dia, o tempo litúrgico ou a festa.
Após, seguem as Preces, a Oração do Pai Nosso e a Oração Conclusiva.

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Uma particularidade para o Ofício de Leituras

O Ofício das Leituras quer dar ao povo, e muito especialmente aos que estão consagrados ao Senhor, uma meditação mais rica da Sagrada Escritura e das mais belas páginas dos autores espirituais (cf. Instrução, n°55). Existem aqui duas leituras, intercalando-se com salmos responsoriais. A primeira, tirada da Bíblia; a segunda, das obras dos Padres ou dos Escritores eclesiásticos, ou então uma leitura hagiográfica (dos textos sagrados). Nos domingos fora da Quaresma, nos dias dentro das oitavas da Páscoa e do Natal, nas solenidades e festas, após a segunda leitura com seu responsório, diz-se o hino Te Deum.

Uma particularidade para as Vésperas

Após a oração inicial, pode ser feito um tempo de exame de consciência e logo após se passa ao Hino. Depois da salmodia, há uma leitura breve e a seguir, diz-se o cântico evangélico Nunc dimíttis (Cântico de Simeão), com a respectiva antífona. Este cântico é, de certo modo, o ponto culminante de toda esta Hora litúrgica. E termina-se com uma das antífonas de Nossa Senhora. No tempo pascal, diz-se sempre Regina Caeli (Salve Rainha do Céu).

Gestos e posições na celebração comunitária

- Todos os participantes estão de pé:
a) durante a introdução ao Ofício e versículo introdutório de cada Hora;
b) durante o hino;
c) durante o cântico evangélico;
d) durante as preces, oração dominical e oração conclusiva.

- Todos escutam sentados as leituras, menos o Evangelho.

- Durante os salmos e cânticos, com suas antífonas, a assembleia pode estar sentada ou de pé, conforme o costume.

- Todos fazem o sinal da cruz, da fronte ao peito e do ombro esquerdo ao direito:
a) no princípio das Horas, quando se diz: Vinde, ó Deus, em meu auxílio;
b) ao começar os cânticos evangélicos, Benedictus, Magnificat, Nunc dimíttis.

- Faz-se o sinal da cruz sobre os lábios, no princípio do Invitatório, às palavras Abri, Senhor, os meus lábios.


Como vimos, a oração da Liturgia das Horas tem como único objetivo nos levar à santidade. Através dela podemos permanecer unidos a Cristo ao longo do dia, junto com toda a Santa Igreja. É um meio muito útil para santificar nosso dia e nossas ações.

Pode parecer longa e cansativa, mas faça o seguinte: quando for rezar a Liturgia das Horas, ofereça por alguma intenção, ou pense que está rezando por toda a Igreja que precisa, por aqueles que queriam poder rezá-la e não podem.

No próximo post, continuaremos a falar sobre a vida de oração. Vamos falar um pouco sobre os tipos de oração e o que a Igreja e os santos nos ensinam sobre eles. Até a próxima!



Fontes:
Instrução Geral sobre a Liturgia das Horas. Encontre aqui em pdf.
Site do Padre Paulo Ricardo.


Por Thiago Silva

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Tempo para Deus - A vida de oração



E seu eu desse MAIS TEMPO para DEUS?

Que tal reservarmos um tempinho para nossa formação? Nós vamos ajudar você nessa árdua tarefa!
A partir desta 4ª feira (15/11) vamos iniciar uma série de postagens formativas sobre a vida de oração.
Abordaremos muitas questões interessantes que formam nossa fé católica e nos ajudam a entender mais sobre a oração.

“Oração é um íntimo diálogo de amor, estando muitas vezes a sós com Aquele que nos ama. A oração é deixar-se amar por Deus” (Sta. Teresa de Jesus)


Acompanhe! Estamos te esperando.

domingo, 13 de novembro de 2016

Permanecei firmes! - Evangelho Dominical (13/11)

A liturgia desse 33° Domingo do Tempo Comum tem como tema as realidades últimas da nossa existência.  Ao ver o povo admirado com a beleza do Tempo, Jesus os exorta acerca da necessidade de estarem se preparando cada vez mais para o dia em que essa realidade não mais existir.

- “Vós admirais estas coisas? Dias virão em que não ficará pedra sobre pedra. Tudo será destruído”.
Cristo não veio para a destruição. Veio para nossa Salvação. É nele que devemos esperar e confiar. Sua promessa de retorno após a sua ressurreição e ascensão aos céus é o que nos deve alegrar e motivar a viver numa vida reta e santa. A nossa preparação deve ser diária. Devemos viver o Reino de Deus hoje e sermos também sinais para aqueles que ainda não O conhecem.


- “Cuidado para não serdes enganados, porque muitos virão em meu nome, dizendo: ‘Sou eu!’ e ainda: ‘O tempo está próximo’. Não sigais essa gente!”
Nosso Senhor ainda faz menção aos supostos profetas que ainda hoje vem em ‘nome de Jesus’ para alertar a humanidade de Sua volta. Ora, Jesus sim voltará. Porém, Ele mesmo disse que ninguém saberá o dia e nem a hora, por isso nos pede a vigilância e a oração. Temos de estar preparados a qualquer hora para o nosso encontro como Deus, que há de vir e julgar os vivos e os mortos (2 Tm 4,10). Pois se o proprietário de uma casa soubesse a que hora viria o ladrão, se colocaria em sentinela e não permitiria que a sua residência fosse roubada (cf. Mt 24,43). Assim deve se portar o cristão a espera do Salvador.

“Todos vos odiarão por causa do meu nome. Mas vós não perdereis um só fio de cabelo da vossa cabeça. É permanecendo firmes que ireis ganhar a vida! ”
Por fim, Jesus nos anima a permanecer firmes diante de todo sofrimento causado por admitir a fé nEle. É notável também até nos dias atuais uma perseguição da sociedade secularizada àqueles que relutam em querer viver suas vidas fundadas nos princípios cristãos. Declara-se uma guerra ideológica com o objetivo de derrubar os conceitos que vão contra ao mundo. Porém, como o próprio Cristo nos disse, é permanecendo firmes que ganharemos a vida. É com essa certeza que podemos esperar a vida eterna!


Por Thiago Silva

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Fim do Jubileu da Misericórdia - Início do Eu misericordioso

Sem pressa. O Jubileu Extraordinário da Misericórdia vai acabar. Porém, mais importante do que isso é você continuar a viver e a estender essa Misericórdia à todos.

Estamos há poucos dias do encerramento do Ano Santo Extraordinário da Misericórdia, aberto pelo Papa Francisco. Mas e aí, será que eu consegui aproveitar esse tempo extraordinário concedido para me aproximar dos meus irmãos e me aproximar dos sacramentos, ou seja: de Deus?

Imagem: http://elpueblocatolico.com/ano-de-la-misericordia-en-denver

No próximo dia 13 de novembro, domingo, as igrejas ao redor de todo o mundo vão encerrar o Ano Santo e as dioceses vão fechar as Portas da Misericórdia. Somente no dia 20 de novembro, Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo, lá em Roma na Basílica de São Pedro, o Papa Francisco vai fechar a Porta Santa. Você conseguiu aproveitar tudo o que a Igreja ofereceu? As indulgências, os sacramentos, as obras de misericórdias... Tudo isso vai ficar como a marca deste Ano Santo. Porém, não queremos que fique apenas na memória, isso não pode ficar apenas na nossa memória!

A Misericórdia que veio ao nosso encontro é viva: está ressuscitada e não para de agir! O encontro que você teve com Jesus Cristo Misericordioso e Ressuscitado não passou - está aí, dentro de você, e não vai passar se você não deixar. Aquela Porta da Misericórdia pela qual você passou (e se ainda não passou, corre que dá tempo!) é o próprio Cristo, "Eu sou a porta" (10, 9).

Mas atenção: o encerramento do Ano Santo e o fechamento das Portas da Misericórdia não significam que a Igreja fechou a graça dos sacramentos ou a graça de Deus para com seu povo. Significa que este período especial de Graças que a Igreja nos concedeu acabou, mas a misericórdia de Deus continua a existir, como sempre existiu, e Ele continuará esperando as almas.

Por isso dizemos mais uma vez: o Ano Santo da Misericórdia pode ter seu encerramento, mas precisa ter gerado frutos no coração de cada um dos cristãos e de cada ser humano que teve contato com os cristãos espelhos de misericórdia. Essa obra de Deus foi criada para fazer de você, cristão, um espelho do amor de Deus. "Pelos seus frutos o conhecereis" (Mt 7, 16). O Para no início do Ano Santo abriu a Porta Santa justamente para ensinar a cada um de nós como devemos nos abrir para aqueles que mais precisam de nós e de Deus.

"Queridos amigos, não esqueçamos nunca que, nas pessoas necessitadas se encontra Jesus"
Papa Francisco

Obras de Misericórdia
Um dos meios de viver e espalhar a misericórdia durante este Ano Santo foi a prática das Obras de Misericórdia Corporais e Espirituais:

Obras de misericórdia espirituais:
1) Ensinar os ignorantes
2) Dar bom conselho
3) Corrigir os que erram
4) Perdoar as injúrias
5) Consolar os tristes
6) Sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo
7) Rezar a Deus por vivos e defuntos

Obras de misericórdia corporais:

1) Dar de comer a que tem fome
2) Dar de beber a quem tem sede
3) Dar pousada aos peregrinos
4) Vestir os nus
5) Visitar os enfermos
6) Visitar os presos
7) Enterrar os mortos


Ainda dá tempo de fazê-las. Você tem toda a sua vida para praticá-las.

Termino essa matéria pedindo à Virgem Maria, Mãe de Misericórdia, que nos ajude a cultivar com esse amor de mãe o jardim que é a nossa alma, para fazer frutificar todas as graças que seu Filho Jesus Cristo semeou em nós. Ajuda-nos também, ó Mãe, a sermos espelhos do Amor Misericordioso de Deus para aqueles que nos olham.


Por Vitor Santos

domingo, 6 de novembro de 2016

O amor: caminho para a minha santidade! - Evangelho Dominical (06/11)

Evangelho da Solenidade de todos os Santos (São Mateus 5, 1-12)


Quem são esses? (1ª leitura - Ap 7, 13)
Essa poderia ser a pergunta central da liturgia de hoje. Quem são esses? De onde vieram?
Parte da resposta podemos encontrar na 2ª leitura: "Somos filhos de Deus!" (1Jo 3, 2)
Mas essa resposta vai além: estes são os que foram chamados por Deus à santidade. 



Estes são os que foram chamados a santidade. Mas TODOS nós fomos chamados à santidade. Agora a pergunta é mais difícil: o que é santidade? O que significa ser santo?

Para muitos, ser santo significa ser "canonizado", ser "santo de altar". Esse é um chamado, mas a santidade para a qual todos nós fomos chamados - no nosso batismo - é a santidade no nosso estado de vida. Quando Deus nos pede para sermos santos, nos pede que, em nossa vida, como quer que seja, vivamos nosso chamado, nossa missão; nos pede para morarmos mais perto do seu Coração. Casados, sacerdotes, religiosos, consagrados, celibatários, solteiros... não importa o estado de vida, o chamado é o mesmo, para viver plenamente isso que Deus preparou. Um pai ou uma mãe de família que vive seu casamento e cuida de sua família, cumprindo com os deveres que lhe são próprios, esse pai e essa mãe estão vivendo o chamado à santidade que receberam.


“Santo não é aquele que não cai,
santo é aquele que mesmo caindo não desiste de levantar”.
São João Paulo II


No Evangelho das Bem-aventuranças, o próprio Jesus Cristo, nosso modelo, nos mostra esse caminho para a santidade. É um caminho de amor, dado pelo próprio Amor. Esse caminho de amor poderia ser resumido em uma frase: "Bem-aventurados os que amam". Pode parecer contraditório - e realmente o é - que o evangelho das bem-aventuranças (onde se fala apenas de "cruz e sofrimento" nesta vida), seja um verdadeiro caminho de amor. E então somos chamados a seguir nossa vida por este doce caminho do amor!

Amor não é sentimento, é decisão, é missão, é ação e é escolha. Deus te escolheu para ser santo e hoje a decisão é sua: escolha-O como seu caminho, como seu Amor. Viva esse amor!






segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Eis aqui a escrava do Senhor - Evangelho Dominical (21/12)

Evangelho do 4º Domingo do Advento (São Lucas 1, 26-38)


"Eis a escrava do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra." (v. 38)



Maria recorda a humanidade capaz de dizer sim a Deus. Ao contrário de Eva, representante do não a Deus. Quem sabe dizer sim como Maria ajuda a humanidade a crescer, quem como Eva diz não impede a humanidade a caminhar para Deus. Nós, cristãos, devemos a exemplo de Maria nos colocar a serviço do Deus Altíssimo, oferecendo nossa vida, dispondo-nos com alegria, colaborando com a obra da salvação. Maria foi fiel ao chamado de Deus e nos ensinou: "Fazei o que ele vos disser." (João 2, 5) e Jesus nos dá a liberdade de aceitar seu chamado, mas adverte: "Quem ama seu pai ou sua mãe mais que a mim, não é digno de mim. Quem ama seu filho mais que a mim, não é digno de mim. Quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim. Aquele que tentar salvar a sua vida, perdê-la-á. Aquele que a perder, por minha causa, reencontrá-la-á." (Mateus 10, 37-39)

Se nesse momento Deus solicitasse nossa colaboração, qual seria nossa disponibilidade? Como Maria, encontraríamos graça diante de Deus? Largaríamos tudo para servir com prontidão ao Senhor? Feliz daquele que a exemplo de Maria, seria saudado desta maneira pelo anjo: "Alegre-se, cheia de graça! O Senhor está com você!" (v. 28). Ou nos encontraria, como Adão e Eva? "Em seguida, eles ouviram Deus passeando no jardim à brisa do dia. Então o homem e a mulher se esconderam da presença de Deus, entre as árvores do jardim." (Gênesis 3, 8)

Através de uma mulher o pecado entrou no mundo e por outra entrou a salvação, Maria foi escolhida por Deus para ser mãe de seu Filho único: "Você é bendita entre as mulheres e bendito é o fruto do seu ventre!" (Lucas 1, 42). Somos convidados a nos tornar servos deste Deus, Emanuel, com amor e gratuitidade.


Por Daiane Alcantara


segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Dar testemunho da Luz - Evangelho Dominical (14/12)

Evangelho do 3º Domingo do Advento (São João 1, 6-8.19-28)



Todo ser humano tem uma missão. A missão de João Batista era "dar testemunho a luz". Uma voz a clamar no "deserto" do coração humano. Sua missão não era apontar para si mesmo, mas para o Messias. Jesus, Palavra de Deus, é a luz que ilumina a consciência de todo homem. Mas para onde conduziria esta luz? Para Deus que é amor e fidelidade. Quando João Batista começou a pregação, os judeus esperavam o Messias libertador, que acabaria com a miséria e a dominação estrangeira. João anunciava que a chegada do Messias estava próxima e pedia a adesão do povo, selando-a com o batismo. As autoridades religiosas estavam preocupadas e mandavam investigar se João pretendia ser o Messias. João nega ser o Messias, denuncia a culpa das autoridades e dá uma notícia inquietante: O Messias já está presente a fim de inaugurar uma vida nova para o povo. Ainda hoje, nos profetas e profetizas do nosso tempo, João Batista continua clamando no deserto de nossa vida e de nossa história, eles acolhem a missão dada por Deus e, com a palavra e o exemplo, dão testemunho da luz; apontam para o Cristo e convidam a todos a preparar o coração para acolher o Senhor que não está longe, distante, mas no meio de nós, porém, desconhecidos para muitos. Ontem foi João, hoje o Senhor te convida a assumir esta missão.


Por Daiane Alcantara


domingo, 7 de dezembro de 2014

Preparai os caminhos do Senhor - Evangelho Dominical (07/12)

Evangelho do 2° Domingo do Advento (São Marcos 1, 1-8)



O tempo do Advento coloca-nos diante da miséria da humanidade, da pobreza e aperto da Igreja, da nossa própria miséria. Pobre humanidade: por mais que se julgue auto-suficiente, é tão insuficiente, por mais que deseje ser seu próprio deus, não passa de pó que o vento leva. Pobre Igreja, tão santa pela santidade de Cristo, o Santo de Deus, mas tão envergonhada pelos pecados de seus filhos e até de seus pastores, que deveriam ser exemplo e orgulho do rebanho; tão difamada e humilhada nos dias atuais. Pobres de nós, que vivemos uma vida tão cheia de percalços e angústias, de lutas e lágrimas, de desafios que, às vezes, pararem mais fortes que nós! Como no passado, ainda hoje precisamos de um Salvador; como Israel que esperou, nós, Igreja de Cristo, suplicamos: Vem, Senhor! Manifesta o teu poder! Que passe logo este mundo de tanta ambiguidade e provação; que venha a plenitude do teu Reino, que venha o teu Dia, que venha logo a plenitude da tua graça!

"Convertei-vos e credes no Evangelho" (São Marcos 1, 15). O batismo de João suscita arrependimento dos pecados, contrição e desejo de mudança de vida. Para irmos ao encontro de Deus nós precisamos ser tocados, todos os dias, por esta palavra: “arrependimento”. Não se acostume com o pecado, não deixe o pecado tomar corpo na sua vida, sem dele você se arrepender! João Batista nos convida a conversão.

A conversão deve ser uma prática diária na vida do cristão, que aos poucos conseguirá renunciar as falhas grandes; está é uma condição imprescindível da comunhão com Deus: "Preparai o caminho do Senhor, endireitai suas estradas!" (v. 2), eis a ordem de João Batista. Nivelem-se todos os vales de nossos pecados, rebaixem-se todos os montes e colinas do nosso orgulho, soberba e prepotência; endireite-se o que é torto no nosso pensamento e no nosso procedimento e alisem-se as asperezas de nosso modo de tratar os irmãos. Então, a glória do Senhor se manifestará na nossa vida e nós seremos luz para a humanidade em trevas! Somos filhos da Luz de Cristo, somos filhos do Dia do Senhor! Nosso proceder deve apontar aquele que vem, anunciar o Messias, com nossa vida, palavras e atitudes.


Por Daiane Alcantara

domingo, 30 de novembro de 2014

Vigiai - Evangelho Dominical (30/11)

Evangelho do 1° Domingo do Advento (São Marcos 13, 33-37)


Somente agora Jesus responde à pergunta dos discípulos: "Dize-nos, quando vai acontecer isso, e qual será o sinal de que todas essas coisas estarão para acabar?" (v.4). Mas, em vez de informar quando e como, Ele indica apenas como o discípulo deve se comportar. Testemunhar sem desanimar antecipando a vinda de Jesus, com sua ação evangelizadora e sua misericórdia transformadora. O Reino prometido por Jesus é a recompensa para aqueles que seguem a Deus: "Quem ouve essas minhas palavras e as põe em prática, é como o homem prudente que construiu sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, vieram as enxurradas, os ventos soprarão com força contra a casa, mas a casa não caiu porque fora construída sobre a rocha" (São Mateus 7, 24-25), para aqueles que apesar das dificuldades ultrapassaram a medida e não ficaram nas máscaras como os judeus, para quem foi o humano que pode e deve ser, aqueles que como São Paulo podem dizer: "Combati o bom combate, terminei a minha corrida, conservei a fé." (2 Timóteo 4, 7).

O Advento, tempo de espera e muita expectativa para aquele que virá, duma espera ativa que nos leva a refletir e a nos livrar de excessos e mágoas que ainda dominam nossos pensamentos e coração, para bem participar da alegria de ter nosso Senhor nascendo em nossa vida, trazendo paz, alegria e amor para nossos desafios cotidianos. Fiquemos atentos para receber o menino Jesus, talvez ele não aguarde até 25 de dezembro e chegue antes, e como estará seu coração, sua vida e relacionamentos? O Evangelho já nos adverte: "Vigiai pois não sabeis quando será o momento" (v.33). Que Deus humilde, pobre e simples possa nos encontrar prontos para recebê-Lo e que possamos lhe ofertar a nobreza de nossos corações.

Por Daiane Alcantara


Cristo Rei! - Evangelho Dominical (23/11)

Evangelho da Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo (São Mateus 25, 31-46)



A festa de Cristo Rei encerra o Ano Litúrgico. São Mateus descreve com imagens grandiosas a vinda de Jesus Rei-Messias que faz seus eleitos passarem de seu reinado ao Pai. É o último ensinamento de Jesus, onde faz uma exortação à conversão. Seu juízo não levará em conta obras excepcionais, mas a misericórdia. Um dia teremos o encontro com Cristo, que agora se apresenta a nós nos pobres. Diante do Pai, Jesus salva, para a vida eterna, os que deram testemunho dele, praticaram a misericórdia e foram perseverantes até o fim. Festejando hoje Cristo, Rei do Universo, proclamamos nossa inabalável fé no Deus que conduz a história à sua plena realização, ainda que por caminhos, para nós, incompreensíveis.

Por Daiane Alcantara


domingo, 16 de novembro de 2014

Os Talentos - Evangelho Dominical (16/11)

Evangelho do 33º Domingo do Tempo Comum (São Mateus 25, 14-30)


Não basta estar preparado, esperando passivamente a manifestação de Jesus. A parábola dos talentos evidencia a questão do Reino do Céus. É preciso arriscar e lançar-se à ação, para que os dons recebidos frutifiquem e cresçam. Diante da manifestação do Reino, a vida é o dom por excelência. Com ela cada qual recebe igualmente, talentos - virtudes, para "investir" em prol do Reino. No julgamento, Ele pedirá contas pelos dons concedidos, como o da vida e até mesmo do nosso corpo; em nome de uma falsa liberdade, pecamos quando vivemos nossa sexualidade de forma errada, quando fazemos tatuagens ou até mesmo em abortos, a desculpa é sempre a mesma "O corpo é meu, eu faço o que quero com ele.", pessoas com vícios como os de beber, fumar ou usar drogas, se escondem atrás das mesmas desculpas como "Quem bebe morre/fuma morre? Mas quem não o faz também morre!"; nosso corpo e nossa vida, não são nossos, são de Deus e servem para glorificar a Deus e antecipar a vinda do Reino. O que você dirá sobre seus dons, que os repartiu, os fez crescer ou que escondeu? Diante dEle, o medo não pode  perseverar e nem mesmo serve de justificativa. O cristão não pode, primeiro, pensar em si, na sua segurança pessoal, nos interesses particulares para depois pensar no Reino, em primeiro lugar, o Reino de Deus e a sua justiça; e tudo o mais nos será dado por acréscimo (Mt. 6, 33). Quem assim não agir, corre o risco de perder até mesmo o talento que recebeu como dom.

Por Daiane Alcantara


domingo, 9 de novembro de 2014

Dedicação da Arquibasílica de Latrão - Evangelho Dominical (09/11)

Evangelho da Festa da Dedicação da Arquibasílica do Latrão (São João 2, 13-22)


Celebra-se o aniversário da Dedicação da Arquibasílica de São João do Latrão, a catedral do Bispo de Roma. Importa penetrar no ministério simbolizado pela igreja-edifício. A partir da encarnação do Filho de Deus, não existem mais templos materiais como morada de Deus entre os seres humanos. A verdadeira morada de Deus entre os humanos é o Cristo jesus: "Destruí este templo e em três dias o levantarei". Jesus estava falando do próprio corpo". A verdadeira morada de Deus é o próprio Jesus Cristo e, por extensão, o Cristo total, a Igreja, A verdadeira Igreja é a assembleia reunida. Quando se celebra a Dedicação da Igreja do Santíssimo Salvador, comemora-se o mistério da Igreja universal em comunhão com o Bispo de Roma.

Por Daiane Alcantara


domingo, 26 de outubro de 2014

Ame o Senhor teu Deus - Evangelho Dominical (26/10)

Evangelho do 30° Domingo do Tempo Comum (São Mateus 22, 34-40)


"Ame ao Senhor seu Deus com todo o seu coração, com toda a sua alma, e com todo o seu entendimento." (v. 37) 



Deus, em sua infinita bondade, nos criou por amor e para o amor. Se nós o amamos, foi porque Ele primeiro nos amou.  A essência de todo ser humano é o amor. Esse amor nós o contemplamos em Jesus - o ser humano em plenitude.

Jesus resume a essência e o espírito da vida humana num ato único com duas faces inseparáveis: amar a Deus com total entrega de si mesmo, porque o Deus verdadeiro e absoluto é um só e, entregando-se a Deus, o homem esvazia-se a si mesmo, o próximo e as coisas; amar ao próximo como a si mesmo, isto é, a relação num espírito de fraternidade e não de opressão ou de submissão. Fomos feitos para este amor divino-humano que Jesus viveu e hoje nos revela: o amor a Deus e ao próximo, que não tem fronteiras, não é passageiro, nem interesseiro, nem ilusório ou de palavras, mas gratuito, perene, indiviso e de ações. O amor de Deus é gratuito, fiel e operante, não é como o "amor" que o mundo nos oferece, que nos apresenta numa sala de cinema, um amor romântico entre duas pessoas que é abalado por qualquer terceiro - situação ou pessoa; Deus te leva aos pés da cruz e diz isto é amor, não há amor maior do que quem dá a vida por seus amigos.

À medida que o vivermos desta forma, nós nos tornaremos homens e mulheres livres, capazes de amar sem medida. Amando assim, a começar pelo nosso próximo mais próximo, seremos geradores de vida e estaremos vivendo o Reino de Deus revelado por Jesus..


Por Daiane Alcantara


Nosso Reino de Deus - Evangelho Dominical (19/10)

Evangelho do 29º Domingo do Tempo Comum (São Mateus 22,15-21) 


O que pertence a Deus, senão tudo em nossa vida, e mesmo nossa próprio vida? E quantas vezes tentamos ludibriar essa única verdade - que tudo a Deus pertence - com desculpas, queixas e resmungos. Questionar a Jesus se é lícito pagar imposto a César  é desvirtuar a realidade, desviar a atenção do real problema de exploração e opressão que o povo vivia. O imposto era o sinal da dominação romana; os fariseus a rejeitavam, mas o partidários do Herodes a aceitavam. Se Jesus responde "sim", os fariseus o desacreditarão diante do povo; se ele diz "não", os partidários de Herodes poderão acusá-los de subversão. Mas Jesus não discute a questão do imposto. Ele se preocupa é com o povo: a moeda é "de César", mas o povo é "de Deus". O imposto só é justo quando revertido em benefício do bem comum. Jesus condena a transformação do povo em mercadoria que enriquece e fortalece tanto a dominação. O novo povo de Deus pertence unicamente a Deus, é só Deus pode exigir do homem adoração. Qual não é nossa falta de coragem em lutar pelo construção de nosso mundo melhor chamado Reino de Deus. Que nosso cansaço e comodismo não sejam empecilhos e não turvem a clareza desse grandioso projeto de Deus para nossas vidas.


Por Daiane Alcantara

domingo, 12 de outubro de 2014

Nossa Senhora da Conceição Aparecida - Evangelho Dominical (12/10)

Evangelho da Solenidade de Nossa Senhora da Conceição Aparecida (São João 2, 1-11) 


No Evangelho das Bodas de Caná encontramos uma riqueza imensa de símbolos que nos remetem à profundidade da mensagem que o evangelista pretende passar. Segundo São João, o primeiro sinal que Jesus realiza é a mudança da água em vinho.

O texto sagrado nos revela "No terceiro dia, houve uma festa de casamento em Caná da Galiléia, e a mãe de Jesus estava aí." (v.1), a sugestiva imagem da festa, do vinho, do casamento, nos transportam a um ambiente onde o amor, a alegria, o gosto pela vida estão harmoniosamente entrelaçados. A presença de Jesus e sua mãe, com os discípulos, dão um sabor especial ao acontecimento. Nesta atmosfera festiva e de intensa humanidade, símbolo da união entre Deus e a humanidade, realiza-se de maneira definitiva na pessoa de Jesus,  nova aliança que Deus quer realizar com todas as pessoas. Sem Jesus, a humanidade vive uma festa de casamento sem vinho. Maria representa a comunidade que nasce da fé em Jesus, e suas palavras são um convite: "Façam tudo o que Ele vos disser." (v. 5), com a mediação de Maria, a humanidade já experimenta a alegria da eternidade. Ao falar que sua hora ainda não havia chegado, Jesus se refere à sua paixão, morte e ressurreição que acontecerá para reconciliar com Deus a humanidade.

Jesus usou a água que os judeus usavam para a purificação para transformar em vinho; os judeus estavam demasiadamente preocupados com sua purificação e a religião multiplicava os ritos de purificação. Ao mudar água em vinho Jesus nos prova que a verdadeira religião não se baseia no medo do pecado; o que importa é receber o Espírito de Jesus "Não entristeçam o Espírito Santo, com que Deus marcou vocês para o dia da libertação. Afastem de vocês qualquer aspereza, desdém, raiva, gritaria, insulto, e todo tipo de maldade. Sejam bons e compassivos uns para com os outros, perdoando-se mutuamente assim como Deus perdoou vocês em Cristo." (Efésios 4, 30-32) que é este vinho novo.

O episódio de Caná é uma espécie de resumo daquilo que vai acontecer através de toda a atividade de Jesus: sua palavra e ação transforma as relações dos homens consigo mesmo, dos homens com os irmãos e dos homens com Deus.


Por Daiane Alcantara

domingo, 5 de outubro de 2014

A vinha do Senhor - Evangelho Dominical (05/10)

Evangelho do 27º Domingo do Tempo Comum (São Mateus 21, 33-43)


A primeira leitura e o evangelho deste domingo utilizam a comparação da vinha. Israel, afirma Isaías, é a vinha pela qual o Senhor teve muito desvelo e pela qual manifestou um imenso amor, mas ela produziu frutas amargas. Jesus retoma a mesma imagem, mas a aplica aos guias do povo: a vinha não será destruída, somente serão substituídos os trabalhadores. Dentro da dinâmica do Reino de Deus, Jesus nos chama atenção justamente para o problema de esquecermos a nossa missão cristã no mundo: produzir bons frutos, ser sinais de Deus para a humanidade. Muitas vezes queremos tomar posse daquilo que não nos pertence e esquecemos o nosso papel. Que o Senhor possa sempre contar conosco nesta imensa seara.


Por Daiane Alcantara


A ação deve seguir as palavras - Evangelho Dominical (28/09)

Evangelho do 26º Domingo do Tempo Comum (São Mateus 21, 28-32)



Jesus está em Jerusalém. Conta esta parábola, muito direta e simples e ainda questiona seus discípulos: "o que vocês acham disso?" É uma provocação. Responder à parábola é se forçar a uma posição. Na parábola os dois personagens tem atitudes diferentes ao chamado: o mais velho diz "não quero ir", mas reconsidera e vai. O mais novo diz "sim eu vou", mas acaba não indo. Como o filho mais velho os pecadores e marginalizados, também são chamados a servir a Deus, por seus erros e pecados, acabam por dizer que não, mas ao conhecer Aquele que vos chama, eles são honestos consigo mesmos, se arrependem e vão. O mais novo representa as "pessoas de bem", que fazem média, na hora do grande convite de Deus respondem prontamente que irão, em vão dão seu sim, pois não conseguem fazer de sua vida um serviço a vinha do Senhor. É preciso passar a ação. As palavras movem, os exemplos arrastam! Para fazer parte do Reino de Deus, não é preciso ser doutor, especialista, líder, é somente ser servo, é esquecer as palavras, os títulos, o orgulho, a soberba, e servir, é demonstrar na prática aquilo que se diz na teoria. As obras dizem mais sobre quem você é do que suas palavras podem descrever. Deixe rastro de céu por onde você passar para que os outros que vierem atrás sigam estes rastros e cheguem a Deus. Dê testemunho vivo da sua fé, sua ação deve seguir suas palavras.


Por Daiane Alcantara


domingo, 21 de setembro de 2014

O trabalhador da última hora - Evangelho Dominical (21/09)

Evangelho do 25° Domingo do Tempo Comum  (São Mateus 20, 1-16) 


O trabalhador da última hora. Trata-se de uma das parábolas mais belas para compreensão da gratuidade de Deus. Tanto os "trabalhadores" do dia todo como os que só chegam poucas horas antes de terminar o expediente são tratados com o mesmo amor divino. Injusto seria se Deus faltasse com amor para com os mais empenhados. Porém, esses foram amados com o máximo amor de Deus e, portanto, em nada prejudicados. Então por que Deus não pode amar assim também a todos, os merecedores e os que aos olhos humanos não merecem? Se Deus quer ser bondoso para com todos, o que impede? Podemos controlar a misericórdia de Deus? Grande lição de Jesus para todos que se sentem privilegiados diante de Deus.

Por Daiane Alcantara


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